Alma Nova Está de casa nova http://cdz-almanova.blogspot.com/

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Se nada mais der certo pra mim, pego esse computador bato na cabeça do meu patrão até ele desmaiar, depois roubo um caminhão e dirijo a noite toda como um prisioneiro fugitivo, aí vou para a amazonia onde começarei vida nova com uma criação de peixes voadores...
"Quando a humanidade erra, os Deuses tratam de puni-la com morte, praga, fome e guerras; mas e quando os Deuses erram? Quem os pune? E que tipo de punição eles terão?"

-Bem-vindos a Saga dos Assassinos de Deuses

Alma Nova 07 - Resquícios da Rainha da Morte

Ele estava lá, preso, sofrendo o vai e vem das marés do cabo Sunion. Preso pelo sangue do seu sangue, a parte pura dele. Seu próprio irmão impediu de cumprir seu destino, ele quis dividir o poder com ele, afinal eram pessoas incompletas. Seu ódio crescia a cada dia que se passava, sua fúria aumentava a cada aumento da maré. Ele ia pagar, assim como sua adorável humanidade que ele iria escravizar, assim como os deuses que criaram a humanidade. Iria dominar tudo sendo humano.

Para isso ele tinha que descobrir uma maneira de sair, batia nas paredes, tentava arrancar as barras, mas tinha algo ali que o impedia de usar sua cosmoenergia. Até que finalmente ele acreditava ter chegado seu dia, depois de quatro anos se alimentado dos peixes que caiam na sua cela. Ele quase conseguia tocar a lua de tão próxima que estava.

E a água cobria já toda a caverna, ele não sentia como as últimas vezes, como se algo o protegesse. Só a água fria do mar batendo violentamente na encosta. Já que era seu último momento de vida, não iria padecer sem luta, mesmo que fosse contra a natureza, atacava as grades com tudo que tinha, com tudo que lhe sobrava.

Até que o impacto de uma onda o fez bater na parede da caverna. E seu mundo de ambição e loucura tornaram apenas breu. Apenas antes de se tornar parte do breu viu uma luz ímpia, na forma de um tridente, seu último pensamento foi.

“O inferno não parece tão ruim assim!”

Antes de sua consciência se tornar breu também.


********

Fênix se levantava rápido, não esperava dormir no colo de Hana. Não tivera o pesadelo de que matara seu pai, que na verdade não era um pesadelo, e sim uma lembrança, dessa vez apenas descansou sua mente no colo de sua refém, por mais estranho que isso parecesse.

Não dormira muito, porém cochilou bem mais do que estava acostumada. Não havia acompanhado os cosmos em suas lutas, porém não sentia mais os dos cavaleiros negros. Apenas daqueles cavaleiros de bronze que ela derrotou na floresta. Não queria combatê-los, queria apenas chamar a atenção dos cavaleiros negros. E por acreditar que Jango não havia morrido, afinal, este era covarde demais pra isso, decide então devolver sua refém para eles. Mas seriam eles capazes de protegê-la?

Ela levantava o rosto e via que Hana também tinha dormido. Esmeralda tentava se lembrar de como era dormir assim. Antes de ser Fênix, mesmo que o treinamento quase a matasse, ela dormia sem pesadelos, sem assombrações, um sono que lhe deixava recuperada. Agora seu sono era só para atender as necessidades básicas de seu corpo.

Esmeralda saía em silêncio, não queria atrapalhar os sonhos de sua refém que ela jurou para si mesma proteger com sua vida imortal, o que para ela é o maior juramento que ela poderia fazer. Fosse ela Athena ou não, iria protegê-la.

******

Okko andava devagar devido aos seus ferimentos, os golpes de Dragão Negro afetavam tanto por dentro quanto por fora, sentia alguns vasos sanguíneos rompidos. Conseguia sentir também fracamente o cosmo de Isaak e Thouma, mas não sentia o de Pandora, ela era um companheiro de luta, por mais que a achasse arrogante e mandona. Seria então ele pelo menos o primeiro a lutar contra Fênix, talvez fosse o mais capacitado, graças ao escudo e o punho do Dragão.

Chegando próximo ao local, sentia um clima ao contrário do que a montanha sugeria: Um ar abafado, quente e sufocante. Podiam até ser vistas algumas poças de água próximo ao cume da montanha, o que era ilógico, afinal deveria ficar cada vez mais frio. Ilógico? “Se eu consegui fazer uma cachoeira correr ao contrário, porque vou passar a duvidar das coisas?”, pensava consigo mesmo.

O cavaleiro de bronze chegava a um planalto da montanha, onde havia uma caverna com a forma da boca de um lobo, e a frente do sinistro abrigo a fonte de todo aquele calor. A amazona de Fênix, a oponente que todos esperavam enfrentar. O chinês tentava se recompor para não demonstrar fraqueza para seu oponente, mas este era diferente.

Ela era franzina, não tinha muita massa corporal, parecia ser até mais fraca que Shunrei. O cosmo que emanava parecia ser alimentado por algo maior que ela própria. Um sentimento muito forte, que Okko sentia que não era bom, mas mesmo assim tinha que resgatar Athena.

-Fênix me devolva a garota! –dizia Okko sem deixar a voz vacilar.

-Acha mesmo que pode protegê-la? –Fênix parecia querer ser convencida de que eles pudessem proteger mesmo Athena, essa era uma batalha que ele teria que travar com as palavras.

-Eu venci Dragão Negro, os outros venceram as suas versões negras, nós vamos protegê-la, porque é nossa missão. –Okko chiava muito, devido à dor que tinha no peito, mas mesmo assim continuava.

-E Jango? –Esmeralda ficou dividida naquela pergunta, ela jurou matá-lo, já que ele era o líder dos cavaleiros negros, mas se eles o tivessem matado seria a prova que eles poderiam proteger Hana.

-Jango?! Que Jango? –Com essa resposta, Okko causou um suspiro na amazona da Ilha da Rainha da Morte, de alívio.

-Então terá que me provar que pode protegê-la. –Fênix sumia da visão de Okko numa velocidade comparada a do cavaleiro de Cisne.

Ela aparecia quase embaixo dele, e lhe aplicava um chute no maxilar, praticamente voando baixo. Fênix não tinha muita força, mas seus golpes eram bem colocados, causando danos mais específicos, o chute foi suficiente para pegar em sua traquéia e ele perder o ar, aliado aos danos que já havia sofrido por causa de Dragão Negro.

Fênix mal tocava no chão e já avançava novamente com um soco igualmente bem colocado no estômago do cavaleiro de Dragão. Okko ainda ataca, a deixa basicamente presa, e avança com seu punho direito, mas só encontra o ar para logo em seguida levar um chute na nuca e uma rasteira que lhe fazem planar sem muito senso de direção.

Quando Esmeralda se prepara para chutar a coluna de Okko ele some, e ela sente um cosmo vindo rapidamente e sai da onde estava no mesmo instante. Por pouco não foi atingida por um relâmpago, vindo do cavaleiro de Pegasus, que ela julgara que era um vegetal a essa altura.

Ao ver o outro lado, via Cisne que havia salvado Dragão no último momento, numa velocidade impressionante, mas não muito acima de sua velocidade. A loira via que apesar da desvantagem numérica, todos estavam em péssimas condições, passar pelos quatro grandes cavaleiros negros não era um desafio ao qual eles iriam passar ilesos.

Dragão se levanta ao lado de Cisne que mentalmente agradece ao cavaleiro, mas não fala por seu próprio orgulho. Thouma que estava do lado oposto se colocava em posição de combate. Isaak estava ofegante, sentia o calor se esvaindo do corpo, devido àquele clima, mais ameno que sua terra natal onde treinou. Okko e Fênix reparam pelos rasgões na roupa do finlandês que havia manchas extremamente negras, Esmeralda sabia o que eram, a marca da Morte Negra. Ela sabia que um dos cavaleiros negros tinha essa técnica, só não sabia qual. E por conhecer tal técnica, sabia também que em pouco tempo Cisne iria ficar totalmente negro, e assim sua vida começaria a ser drenada por essa força maligna.

-Nos devolva Athena! –Falava Isaak ofegante, que ao contrário de seus companheiros era o menos atingido e com menos danos.

-Acham mesmo que podem me vencer? Nem quando vocês eram quatro o podiam fazer. O que dirá agora. –Esmeralda não tinha arrogância, tinha um ar de obviedade, que irritava aqueles cavaleiros orgulhosos.

Thouma, Okko e Isaak se colocam em posição de ataque, e Esmeralda nem ao menos se movia, com o corpo relaxado. Nem ao menos colocava os braços em modo de defesa, ela não estava nem tão pouco motivada a vencê-los. A amazona queria testá-los para saber se eles tinham poder o suficiente para proteger Hana, aquela garota que eles dizem ser Athena.

Antes mesmo dos cavaleiros darem o primeiro passo, todos ali sentem uma enorme densidade de cosmo se aproximando que os faziam suar e estremecer, até mesmo Fênix... Até mesmo Hana, que acordou e já passava mal, tanto fisicamente com espiritualmente, ia se escondendo até a boca da caverna vendo aqueles jovens trajados de armadura parados e olhando para todos os lugares. Faltava uma pessoa, a de armadura lilás e de cabelos longos e arroxeados.

******

Pandora se arrastava com as correntes de Andrômeda, ela não acreditava no poder de Hypnos de manipular não só a armadura, mas a ela mesma inconsciente. Tudo que a sacerdotisa se orgulhava, que era sua força de vontade, fora totalmente ignorada pela simples vontade do Deus do Sono. Ela viu tudo enquanto estava “inconsciente” mesmo que não quisesse, as cenas da luta eram simplesmente despejadas em sua mente.

Queria ficar deitada, queria deixar que todos se matassem e apenas ficar segura. A espiã de Hades não queria lutar numa guerra que não era sua, mas era a sua vontade contra a vontade divina de dois Deuses. Se antes a pseudo-amazona de Andrômeda tinha medo de morrer atraindo a ira de Tanathos, agora também temia os domínios de Hypnos. E colocava-se mesmo contra sua própria vontade a caminhar para salvar Athena, mas um pensamento que invadia sua mente enquanto caminhava, era que Athena talvez não fosse a única que precisasse ser salva...

******

Os cavaleiros perceberam que aquela densidade de cosmo vinha de cima. Pegasus, Dragão e Cisne dão um passo para trás. Os cavaleiros tiveram então a visão de um verdadeiro monstro em forma de pessoa. Vindo como um verdadeiro meteoro, provocando uma enorme nuvem de poeira junta, estava um ser de quase seus três ou quatro metros, trajando também uma armadura do zodíaco assim como eles.

Era muito assustador ver um monstro daquele trajando uma armadura do zodíaco. Thouma achava que o reconhecia, mas não sabia de onde. Não apenas havia aparecido aquele ser tão grande, havia também um outro homem, dono de um cosmo macabro e assustador, sem nenhuma armadura a não ser a básica de um soldado, e com uma enorme cicatriz no olho direto como uma mancha escura, mais pra uma queimadura.

-Então, vocês são os cavaleiros que estão indo contra a vontade do Santuário e de Athena. –A voz daquele monstro em forma humana era digna dele. Era forte e ameaçadora, mesmo não querendo. Até que ele observa mais atentamente que um dos cavaleiros a sua volta era o cavaleiro de Pegasus. –Você Ruivo! Por acaso é o irmão de Águia?

Thouma afirma que sim, presumindo que aquele gigante viera do Santuário. E assim como ele, tinha um relativo conhecimento sobre os cavaleiros de lá.

-Sou Docrátes, irmão de Cassius! – Thouma estremece, pois lembrara dos rumores que ouvia sobre o irmão de Cassius. Que era muito acima em poder, cosmo e crueldade. Designado a missões que nenhum cavaleiro com resquício de humanidade executaria. –Você decepou a orelha de meu irmão e ainda feriu Shina que é uma grande amiga minha. Vai sofrer por tudo isso!

-Eles são lixo, não esqueça de Fênix. Que por sinal, sinto o cosmo dela, mas não a vejo. –dizia Jango procurando sua tão temida inimiga.

-Fala da pequena amazona que eu mirei enquanto descia? –Questionava Docrátes. –Deve ser apenas uma sujeira no meu pé.

Mas o que Docrátes não notava que sua perna estava dobrada, e que ao baixar definitivamente a poeira, via-se claramente Esmeralda bloqueando o pé de Docrátes com uma das mãos, sem qualquer dano grave. Até que a amazona de Fênix o empurra fazendo-o perder o equilíbrio e cair. Jango sai antes de ser esmagado pela queda de Docrátes. E via a mulher que ele tanto se preparava para combater.

-Olá Jango! Finalmente consegui fazer você sair da toca e lutar! –O ar de indiferente de Esmeralda que ela esbanjava até agora se tornava uma alegria sádica. Era quase possível ver o sorriso cruel por debaixo da máscara. – Desculpem meninos, mas vou ter que confiar em vocês para proteger Hana que está na caverna. Acham que conseguem?

Novamente, os cavaleiros sentiram seu orgulho ferido, mas antes mesmo de sentirem, viram que a amazona não era seu real inimigo. E como todo cavaleiro de Athena, tinham que colocar a proteção de sua deusa acima de seu próprio orgulho. O que era difícil particularmente para aqueles três, mas eles o fizeram.

-Onde pensa que vai, sua anã! –Docrates atacava com seu enorme punho em direção à amazona, que destruía mais o próprio cenário que tudo. Ele porém, não sentia o corpo da amazona em seu punho, apenas as rochas. Esmeralda continuava a andar em direção de Jango, lentamente com passos obstinados.

Quando Docrátes tentou se virar para tentar atingir a guerreira loira, teve que deter seu ataque para ele mesmo não ser atingindo por um rápido relâmpago que quase lhe acertou o rosto, vindo do homem que roubou a armadura de seu irmão.

-Acho que você não ouviu Fênix... Nós seremos seus oponentes! –dizia Okko ao lado de Isaak e Thouma.

Pandora chegava naquele momento, apoiada pelas paredes sem condição de luta, mas dessa vez suas correntes estavam reagindo, arrastando para a boca de uma caverna. Isaak tem uma fagulha de alegria por ver que a amazona estava bem, e apesar disso, não queria que ela se arriscasse naquela luta.

-Pandora! Cuide de Athena que nós cuidamos deles! –gritava Isaak para a amazona.

A amazona sem cosmo nenhum aceita a missão, mesmo querendo combater ao lado deles para não se tornar tão inútil assim no grupo. E ia em direção de Hana, na caverna na qual ela se ocultava para não ser atingida pelo combate, até que sente suas correntes reagirem ao cosmo de Athena.

De repente num movimento intenso, Docrátes ataca o cavaleiro de Pegasus com seu punho monstruoso. Thouma sai da trajetória com um giro gracioso, para apenas Dragão parar seu punho com outro soco. O impacto, forte demais, criou uma pequena onda de choque.

aqui

Docrátes investe com um segundo soco para cima de Dragão, que se protege com o escudo. O cavaleiro-monstro não percebe até que é tarde demais. Isaak estava na abertura de seu golpe e usava seus ventos árticos para atingi-lo em sua lateral. Fazendo-o afastar do combate corpo-a-corpo de Okko. Apenas para logo em seguida receber o impacto do Relâmpago de Thouma que faz com que se aproxime cada vez mais do precipício. O gigante percebe e firma seus pés no chão.

O cavaleiro chinês corre em direção de Docrátes, que se sente desafiado e se coloca em uma posição mais sólida, para resistir ao golpe e contra-atacar. Então, Okko ataca com seu punho indestrutível no chão, provocando uma rachadura e o gigante tenta colocar sua enorme perna na base da rocha que ainda não estava despencando, mas com duas aparições, Cisne e Pegasus, ele é golpeado fazendo perder o equilíbrio e cair.

Sabendo de sua força e de sua fama, Thouma sabia que aquilo era meramente uma distração. Todos ali estavam fracos em comparação a quando chegaram na montanha. O pior deles era Isaak, que parecia estar cansando-se mais do que Okko e Thouma, mas não havia tempo hábil para eles se preocuparem consigo mesmos.

Os três pulam para onde caía Docrátes, deslizando montanha abaixo.

Esmeralda caminhava lentamente, enquanto Jango tentava não tremer de medo daquela franzina amazona loira.

******

Shun, o diretor do orfanato, pegava-se tomando seu tradicional chá e olhando o noticiário local, que dizia que nunca houve tantos deslizamentos no monte Fuji. No fundo, ele sabia que isso tinha haver com seus hóspedes, até o ruivo fora correndo, mesmo não estando completamente bem. O diretor sabia que se contasse a alguém, qualquer um diria que ele havia enlouquecido. E por mais que tentasse negar, aquilo parecia muito óbvio para ele.

Mas aquele não era seu único pensamento, em relação a isso. Perguntava-se como aquela mulher de cabelos escuros e excessivamente lisos sabia da existência de seu irmão morto e de seu medalhão, a única lembrança que tinha de sua mãe e de seu irmão. As próprias lembranças que ele fazia questão de esquecer. Realmente sentia que conhecia aquela mulher de algum lugar...

Apesar de serem sentimentos demais, ele não se dava o direito de pensar em si mesmo. Tinha as crianças do orfanato para se preocupar. Aquele era seu santuário, seu templo que ele tinha que defender. Rezava então para que aquelas pessoas estranhas conseguissem salvar Hana.

-Senhor Amaniya?! –Entrava Minu, a governanta da casa, que apesar da pouca idade para tal função, exercia com maestria a ordem do orfanato Filho das Estrelas.

-Sim, Minu. Fale! –dizia o diretor ainda tomando seu chá e olhando o noticiário.

-Sei que o senhor sempre toma as medidas mais acertadas, mas não concordo em você ter omitido àquelas pessoas sobre o que Hana deixou aqui, dias atrás, antes de ser seqüestrada. –dizia a jovem governanta com seu jeito submisso e cabisbaixo.

-Minu, eu sei também disso, mas você sabe muito bem o quanto eu sou preso a minha palavra. Assim como eu prometi a meu irmão e a minha mãe em seus túmulos que iria cuidar do orfanato, eu prometi a Hana que iria entregar o que ela deixou ou ao tal de Milo ou a ela própria. - Shun acabava de tomar o chá na mesa de seu escritório e virava a poltrona que o deixava de costas para Minu. –Queria muito acreditar que eles são mesmo quem dizem ser, mas não posso me dar ao luxo de ser tão ingênuo assim.


********

Esmeralda avança para cima de Jango, com um golpe direto no rosto, a uma velocidade que o cavaleiro negro não podia acompanhar, mas para surpresa da amazona, ele não cai. Ela investe novamente com um chute, mas dessa vez ele defendia. Golpeava com a outra perna, mas dessa vez não foi apenas bloqueada. A perna dela fora pega e ela fora impactada no chão. Como Jango conseguia fazer aquilo?

E o seu oponente apenas mantinha uma posição de combate zombeteira, afinal, ele sabia que o treinamento de Esmeralda não fora completo, pois ela não se dedicara até a morte de Guilty. Em perícia e em combate, Jango era muito superior. O que ele temia realmente era o cosmo alimentado pelo ódio dela, e quanto a isso, ele tinha um plano.

O ar novamente começa a se aquecer, é sufocante até mesmo para Hana e Pandora que estão um pouco mais fora do combate. Pandora lembra-se do ataque de Fênix, joga então Hana no chão e a cobre com seu próprio corpo.

-AVÊ FÊNIX!!!! – Num movimento rápido e furioso a amazona da Rainha da Morte lança seu golpe para cima de Jango, este chega a ser mais devastador que o primeiro lançado na faculdade em que Hana estuda. As chamas se espalhavam numa velocidade impressionante por causa dos ventos que lhe acompanhavam, e a mesma explosão causava vários deslizamentos que eram relatados pela imprensa local. Mesmo os helicópteros não se aproximavam devido ao calor que fazia haver o risco de desmaiar os pilotos devido à falta de oxigenação. Até mesmo fotos do satélite saíam de foco, mas para os cavaleiros do zodíaco isso era comum, já que de alguma maneira a cosmoenergia deles interferiam com a transmissão de radiofreqüências.

Esmeralda recupera sua racionalidade que juntara naquele momento e deseja ver apenas o corpo carbonizado de Jango, saciando assim seu propósito de vida. Porém, antes mesmo de se erguer recebe um golpe vindo de onde estaria as cinzas de Jango. Uma labareda de chama negra que acertava seu ombro, fazendo-a cair de dor, pois aquelas chamas pareciam arder também seu sangue.

Jango estava ali em pé, numa área circular intacta, não fora afetado de nenhuma forma pelo golpe devastador da pupila de Guilty. E carregava um sorriso sádico e insano estampado no seu rosto, que assustaria até mesmo o pior dos demônios.

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Docrátes caía em um lago enorme, que havia se formado com o derretimento de gelo causado pelos inúmeros golpes que se acumularam; este para ele era apenas uma grande poça de água. Via os cavaleiros descendo em alta velocidade para combatê-lo, o que os deixava como alvos fáceis. Unindo os dois punhos enormes e acumulando cosmo gigantesco transferia a energia para um punho só para a execução de seu ataque. O punho de Hercules. Um gigantesco meteoro feito de cosmo.

Os três vendo aquilo, saíram da rota do golpe sacrificando seu equilíbrio, caindo bruscamente no lago. Levantando-se, a água batia a um palmo abaixo de suas cinturas, enquanto Docrátes estava até, no máximo, com metade de sua perna submersa.

Um segundo Punho de Hercules é lançado contra eles. Todos conseguem escapar a sua maneira, mas vêem que cada vez mais os golpes daquele cavaleiro monstruoso estavam aumentando o poder, enquanto ele se entregava à batalha. Os três sabiam que o ideal era vencê-lo rapidamente e resgatar Athena. E seu senso de urgência aumenta mais ainda quando uma grande explosão de chamas ocorre de onde vieram, que eles reconhecem como o golpe da amazona de Fênix.

Docrátes se impressiona com o tamanho da explosão, e não acredita que foi a amazona que ele chamara de “anã” que ocasionaria aquele show pirotécnico. Até que sentira uma dor enorme no estômago, era Okko, golpeando-o, ainda sim sentiu isso de forma fraca, pois seu corpo e sua armadura agiam por excitação à luta, e estavam mais rígidos ainda. Também, levara um chute no rosto proporcionado por Thouma, mas que não causara dano, apenas deixava o gigante furioso.

Ao atacar os dois cavaleiros, ambos escapam do oponente, que por sua sorte cada vez ficava mais lento na mesma proporção que ficava mais forte. Enquanto isso, eles apenas acobertavam Isaak que usava o círculo de gelo para deixá-lo imóvel, porém seu golpe não estava com a mesma intensidade. O cavaleiro em questão via mais chamas negras em seu corpo e via ele mesmo cada vez mais fatigado, mas como só ele tinha o poder de parar o gigante, toma uma decisão que poderia ser seu fim.

Adquirindo velocidade, o cavaleiro de cisne sumia do campo de visão de Docrátes, este por sua vez, reparava que alguns cristais de gelo formados no ar atrapalhavam ainda mais seus movimentos. Odiava essas táticas, as achava ridículas, pois vários de seus oponentes já tentaram isso inúmeras vezes. Suas atenções eram mais para o usurpador da armadura de Pegasus, que deformara seu irmão mais novo.

Até que sentira um calafrio enorme subindo-lhe as pernas, era o guerreiro do gelo congelando as mesmas. Isso seria facilmente resolvido com um bom soco que iria quebrar sua coluna, seria um oponente a menos. Desce então o punho com a vontade de acabar com a vida de Issak.

Ao acabar a trajetória, não sentira o estalo de osso quando se quebrava, mas sim parecia que havia socado um muro de ferro. Quando vê, era o cavaleiro de Rozan que protegia Isaak com o lendário escudo do Dragão. Apenas ele para agüentar um golpe de Docrátes, o que na realidade não impedia este a continuar tentando. O escudo podia ser indestrutível, mas o cavaleiro não.

Depois do quarto golpe, Thouma ataca com seu Relâmpago Celeste na nuca do monstro em forma de cavaleiro. Não o feria, mas apenas chamava sua atenção, uma manobra apenas para chamar atenção, que foi bem-sucedida.

Foi o suficiente para distraí-lo, as pernas de Docrátes, totalmente congelas pelo ataque de Cisne, que se afastava rapidamente dali, dando espaço para Okko que assim havia ganhado espaço para lançar seu golpe, a Cólera do Dragão. Golpe este que manipula a força da água manifestada na entidade draconiana e ataca o cavaleiro gigantesco, fazendo-o voar pelos ares, perdendo totalmente seu senso de equilíbrio e direção, pois ele mesmo, que não fosse pela sua própria vontade, nunca saiu do chão. Aproveitando ainda, o cavaleiro de bronze ruivo, ataca-o com seu relâmpago celeste, pois ele mesmo não teria mais força para lançar outra Altura Máxima.

Isaak preparava mais um círculo de gelo, dessa vez congelando as outras partes de seu corpo transformando apenas o imenso cavaleiro em uma escultura bizarra de gelo, que caia ao fundo da montanha, onde vários deslizamentos aconteciam.

Os três cavaleiros de bronze se entreolham e sorriem por terem detido aquele monstro, apenas num momento de não-hostilidade entre eles próprios antes de desmaiarem pela exaustão e ferimentos adquiridos durante a chegada ao Japão. Apenas deixando-se perder as forças naquele lago...

********

Esmeralda estava chocada, aquilo não era possível, como ele escapara ileso de sua Ave Fênix? Era realmente impossível! Enquanto Jango gargalhava de maneira assustadora que apenas ele sabia, um som que fazia o seu estômago revirar de medo. Até mesmo Pandora se assusta, nem mesmo as correntes de Andrômeda e nem o escudo do dragão suportaram o golpe direto de fênix. Que tipo de oponente era aquele?

-Então, tive medo dessa menina o tempo todo... Realmente foi a pior idiotice que eu poderia fazer. – Jango se aproximava da amazona loira, que estava sem saber o que fazer. Resolvia atacar novamente, talvez fosse apenas um momento de sorte, mas era em vão.

Cada soco e golpe aplicado era facilmente bloqueado por Jango, era o mesmo de ver um adulto brincando com uma criança de quatro anos furiosa. Era impossível, o grande temor de asas flamejantes era facilmente vencida por um não-cavaleiro. Até que o único cavaleiro negro restante esbofeteia a franzina amazona que cai no chão.

Fênix tenta usar o seu Golpe Fantasma, já que não podia destruir Jango por fora, poderia destruir sua mente, mas também fora inútil, ele apenas caminhava, sem ao menos hesitar para chutar a face de Esmeralda. A amazona da ilha de Andrômeda, ao mesmo tempo em que escondia os olhos de Athena, para que ela não visse aquele massacre, começava a ter pena da amazona. Por mais que tivesse uma parte que sentia que era aquilo que ela merecia, ela se via no lugar de Esmeralda, quando lutava com Andrômeda Negro.

E para o Jango, aquilo realmente era o seu sonho de consumo, humilhar Fênix, a mascote de seu irmão Guilty, que morreu praticamente para dar a armadura mais poderosa para Esmeralda. Ele realmente estava feliz como nunca, e no final, ainda iria se tornar um cavaleiro de Athena, finalmente o destino sorria para ele.

-Como! –gritava Esmeralda. –Como você consegue?!!!

-Sua idiotinha, um golpe não funciona duas vezes contra o mesmo cavaleiro. –Jango a chutava novamente, jogando-a um pouco mais longe de onde estava.

-Eu nunca combati você, como você pode ser imune aos meus golpes?!!! –Urrava Esmeralda.

-Mas você usou nos cavaleiros negros. Achava mesmo que eu estava fugindo de você?! Eu estava ganhando tempo. –Jango dizia aquilo se vangloriando. –Descobri um artefato que sempre esteve na minha frente e nunca enxerguei.

Esmeralda recebia outro chute, mas dessa vez era jogada contra a parede da montanha, um pouco distante ainda da boca da caverna onde Pandora e Hana estavam. Seu corpo e seu orgulho doíam, era impotente assim como na vez em que deixou seu mestre se suicidar com suas mãos. Estava rendida, e Jango percebia isso sem ao menos ver seu rosto.

Jango tirava algo de trás das suas costas, Pandora prestava bastante atenção, enquanto Hana tremia de medo por sentir tanta destruição. A amazona de Andrômeda observava que ele retirava uma máscara muito estranha com uma essência assustadora.

Quando Esmeralda põe os olhos na máscara, a mesma chama de ódio volta a se acender dentro dela. Era a máscara que seu mestre usava, era a máscara que ela sempre odiou, e mesmo que odiasse, era ainda sim parte de seu mestre. Novamente ela usa sua Ave Fênix contra Jango. Mas como da última vez foi inútil.

-Essa máscara foi feita pra proteger o usuário tornando-o mais poderoso, usando tudo que ele tem de pior e aumentar seu cosmo. –Dizia Jango por trás da máscara e com a sua volta tudo queimado, menos o chão que ele pisava. –O problema é que tudo que eu tenho de pior já está exposto para quem quiser ver, ao contrario do idiota do meu irmão.

Esmeralda não acreditava, aquela máscara que transformava seu pai em um monstro estava com Jango, os dois seres que ela passara sua vida amaldiçoando. Os seres que ela devotava sua vida a destruir estavam a derrotando, aquilo para ela só poderia ser um pesadelo, ou no mínimo uma enorme piada de mau gosto.

-Agora que você não pode fazer nada, acho que lhe farei sofrer. –dizia Jango. –Vi que você fez amizade com a menina que o Santuário me mandou aniquilar. É unir o útil ao agradável.

A amazona de Fênix não devia ligar, mas ela sentia que aquela garota que lhe ofereceu o colo para dormir era diferente de qualquer pessoa. Era destinada a alguma coisa que ela mesma não entendia bem. Ela lhe deu sua única sonolência que não vinha acompanhada de pesadelos. A amazona havia prometido a si mesma protegê-la com sua vida. Não podia ficar parada.

Ela voltava a atacar o cavaleiro negro, o qual, em um rápido movimento a jogava contra a parede novamente. Era ridículo pra ele.

-Você tem tudo pra ser uma guerreira imbatível, só lhe faltou treinamento adequado. –Jango dizia resoluto. –Usei os cavaleiros negros como cobaia aumentando o nível gradualmente para ver seu limite de poder, provavelmente você só os vencia por causa de sua aparência, e pela sua cosmoenergia, Tinha usado Dragão Negro e os outros para enfraquecê-la e Docrátes como plano B, só não contava com a aparição desses cavaleiros de bronze. Mas por fim, correu tudo certo, não terei um passado pois todos aqueles que conheceram “minha vida devassa” estão mortos ou vão estar!

Esmeralda sentia mais ódio ainda daquele que seria parte da sua família. Usara todos que conhecia para se beneficiar, matara indiscriminadamente apenas para sua satisfação pessoal. E ela não pode fazer nada.

-Bem, hora de cumprir com o meu serviço. CHAMAS NEGRAS DA RAINHA DA MORTE!!!
O golpe de Jango eram chamas profanas que pareciam queimar o próprio fogo que iam em direção de Pandora e Hana dentro da caverna. Provavelmente as incineraria e ainda faria a caverna desmoronar, sem chance de sobrevivência. Mas algo impediu...

As correntes de Andrômeda formam na mesma hora uma defesa circular, só que ao invés de defender Hana e Pandora, canaliza com vento as chamas negras por dentro delas, jogando-as para cima e as dissipando no ar. Deixando Jango, extremamente irritado.

-Ora sua...

-Andrômeda, leve Hana daqui! –dizia Esmeralda. –Eu vou cuidar dele.

-Não seja idiota, Fênix! –Gritava Pandora. –Você não pode com ele, você não viu?!

-Não vou quebrar as promessas que fiz para mim, para meu mestre e para Hana.

Hana fica estática, não queria estar lá, e também não queria deixá-la sozinha, mas estava muito assustada com tudo aquilo que acontecia de uma só vez. E Pandora, exceto por ficar estática, estava na mesma situação de Hana vendo tudo aquilo.


-Você é uma amazona de Athena, trate de ser uma e tire Hana daqui agora!!! –Gritava ensandecida Esmeralda, temendo machucar Hana.

E era verdade, Pandora sabia que esse era o desígnio de qualquer cavaleiro de Athena, proteger sua Deusa. Pandora coloca a jovem nos ombros, mesmo contra a sua vontade e recua tentando fugir da montanha. Sair para longe daquele lugar, era o que um cavaleiro de Athena, mesmo ela não sendo uma, tinha que fazê-lo.

Jango deu um impulso para persegui-las, mas fora bloqueado rapidamente por Esmeralda, que ainda era mais veloz que Jango. Dando espaço o suficiente para Pandora escapar com Hana, deixando apenas os últimos sobreviventes da Ilha da Rainha da Morte. Jango e Esmeralda ali parados.

-Idiotazinha! Acha mesmo que vai me deter?! Se escapar de mim, ainda terá o cavaleiro do Santuário para torcer o pescoço daquela ninfeta, se bem que se eu fosse ele, faria outra coisa! –O sorriso maquiavélico no rosto de Jango era assustador, monstruoso, aberrante.

-Ora seu...

A amazona foi interrompida por uma explosão de luz. Apenas uma breve aparição para a própria figura, mas que para qualquer outra criatura poderia chamar de milagre, de benção. Não apenas um guerreiro de Athena, não apenas um cavaleiro de ouro, mas sim a reencarnação de Buda à serviço de Athena. Shaka de Virgem. O cavaleiro que tinha como serviço executar a todos ligados de qualquer maneira aos cavaleiros negros.

-A divindade está presente. – dizia Shaka em reverência a si mesmo.

Um comentário:

  1. Esse eu ainda não tinha lido, belo trabalho irmãozinho!

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